O esporte, assim como a poesia, não tem qualquer serventia assim como diria o poeta. A coisa em si, na realidade, pouco importa. Não é a sucessão de recordes apesar de ser a vontade de sempre ser melhor do que foi ontem. Não é a competição, apesar de ser tão necessário vermos pessoas negras no lugar mais alto do pódio. Não é o equipamento que se tem, ainda que seja tão importante ter acesso ao tênis certo, aos aparelhos adequados. Não é o cronômetro, apesar de cada segundo fazer toda a diferença.

É sobre outra coisa e por isso essa semana é tão triste. Porque esporte é aquilo que cada uma de nós, que pratica, que acompanha e que torce, faz dele. É esperança, subjetividade, a alegria de ultrapassar mais um obstáculo qualquer que ele seja. E ainda sonhar que esse mesmo obstáculo, tão pequeno para alguns, significa quilômetros, medalhas, recordes, superação, a multidão contigo, enfim... Mesmo que para alguns não signifique nada, o esporte nos faz sonhar juntas.

É o movimento que aparentemente sem sentido algum, é repetido à exaustão e dá sentido ao mundo. É a bola batendo no gol, fazendo a rede reverberar vida, sentimento, emoção. Num estádio descomunal, no campinho da várzea. Aqui ou do outro lado do oceano. É a vitória e até mesmo o aprendizado e a humildade perda, é o corpo suado de lágrimas de alegria ou de tristeza. É a gente sendo humano de novo, apesar de nos dizerem que fomos feitos para determinadas modalidades e não todas as demais. É sobre nós, não sobre eles.

É por isso toda nossa solidariedade com a seleção de Uganda, sua equipe, seus torcedores. O ano de 2016 tem sido cruel, agora com mais uma tragédia inominável. Que esse momento de luto, de ressignificado, de reflexão e também de imensa tristeza seja respeitado. Mas que a memória de cada vítima seja igualmente celebrada e preservada também por tudo aquilo que o esporte significou para cada uma delas durante suas vidas, infelizmente levadas antes da hora.

Uganga, nosso coração é com vocês.
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  • blogueirasnegrasO esporte, assim como a poesia, não tem qualquer serventia assim como diria o poeta. A coisa em si, na realidade, pouco importa. Não é a sucessão de recordes apesar de ser a vontade de sempre ser melhor do que foi ontem. Não é a competição, apesar de ser tão necessário vermos pessoas negras no lugar mais alto do pódio. Não é o equipamento que se tem, ainda que seja tão importante ter acesso ao tênis certo, aos aparelhos adequados. Não é o cronômetro, apesar de cada segundo fazer toda a diferença.

    É sobre outra coisa e por isso essa semana é tão triste. Porque esporte é aquilo que cada uma de nós, que pratica, que acompanha e que torce, faz dele. É esperança, subjetividade, a alegria de ultrapassar mais um obstáculo qualquer que ele seja. E ainda sonhar que esse mesmo obstáculo, tão pequeno para alguns, significa quilômetros, medalhas, recordes, superação, a multidão contigo, enfim... Mesmo que para alguns não signifique nada, o esporte nos faz sonhar juntas.

    É o movimento que aparentemente sem sentido algum, é repetido à exaustão e dá sentido ao mundo. É a bola batendo no gol, fazendo a rede reverberar vida, sentimento, emoção. Num estádio descomunal, no campinho da várzea. Aqui ou do outro lado do oceano. É a vitória e até mesmo o aprendizado e a humildade perda, é o corpo suado de lágrimas de alegria ou de tristeza. É a gente sendo humano de novo, apesar de nos dizerem que fomos feitos para determinadas modalidades e não todas as demais. É sobre nós, não sobre eles.

    É por isso toda nossa solidariedade com a seleção de Uganda, sua equipe, seus torcedores. O ano de 2016 tem sido cruel, agora com mais uma tragédia inominável. Que esse momento de luto, de ressignificado, de reflexão e também de imensa tristeza seja respeitado. Mas que a memória de cada vítima seja igualmente celebrada e preservada também por tudo aquilo que o esporte significou para cada uma delas durante suas vidas, infelizmente levadas antes da hora.

    Uganga, nosso coração é com vocês.

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