O Tribunal da Quinta-Feira encerra uma trilogia iniciada no espetacular Diário da Queda e continuada no ótimo A Maçã Envenenada. Se nos dois primeiros a questão principal parecia ser uma busca de identidade individual, onde a própria figura de Laub se aproximava das narrativas de forma enevoada, aqui ocorre um choque radical: não só o autor se distancia da obra como a busca pela identidade vira a busca pela coletividade em tempos de todo-dia-tem-uma-treta-no-Facebook. Teca, a esposa do narrador, descobre emails trocados entre ele e seu amigo Walter, soropositivo. O que se segue é um tribunal nas redes sociais, onde as noções de privacidade são postas à prova e se inicia todo um debate sobre a real condição da geração nascida nos anos 1970 nesse universo de Facebook, Whatsapp, etc. Os capítulos curtos só ajudam a evocar a sensação de que se trata de uma ampliação estética dos primeiros romances de Laub. Há uma bomba em estado permanente de suspensão. Até que explode. Não é o melhor da trilogia, mas demonstra a coragem do autor e sua capacidade de transformar em boa ficção certos fatos desagradáveis. 
nota: 3/5

#MichelLaub #Trilogia #OTribunalDaQuintaFeira #LiteraturaBrasileira
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  • resenhadebolsoO Tribunal da Quinta-Feira encerra uma trilogia iniciada no espetacular Diário da Queda e continuada no ótimo A Maçã Envenenada. Se nos dois primeiros a questão principal parecia ser uma busca de identidade individual, onde a própria figura de Laub se aproximava das narrativas de forma enevoada, aqui ocorre um choque radical: não só o autor se distancia da obra como a busca pela identidade vira a busca pela coletividade em tempos de todo-dia-tem-uma-treta-no-Facebook. Teca, a esposa do narrador, descobre emails trocados entre ele e seu amigo Walter, soropositivo. O que se segue é um tribunal nas redes sociais, onde as noções de privacidade são postas à prova e se inicia todo um debate sobre a real condição da geração nascida nos anos 1970 nesse universo de Facebook, Whatsapp, etc. Os capítulos curtos só ajudam a evocar a sensação de que se trata de uma ampliação estética dos primeiros romances de Laub. Há uma bomba em estado permanente de suspensão. Até que explode. Não é o melhor da trilogia, mas demonstra a coragem do autor e sua capacidade de transformar em boa ficção certos fatos desagradáveis.
    nota: 3/5

    #MichelLaub #Trilogia #OTribunalDaQuintaFeira #LiteraturaBrasileira
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